Nome de santos e milagre com livros
LUIS BACEDONI
Pelo que fez até agora em favor da leitura, o proprietário da Livraria São Paulo, que está prestes a completar 10 anos nas mãos dele, mereceria sem exagero receber o título de guardião dos livros. Ex-engraxate, Pedro Paulo Graczcki, 35 anos, decidiu assumir em 1996 a livraria, que pertencia à Diocese de Cachoeira do Sul e estava praticamente falida. Desde então, Cachoeira, que poderia ter ficado sem nenhuma livraria, manteve - e bem - a São Paulo. Pedro Paulo, entretanto, foi mais longe e vem apoiando e viabilizando feiras do livro por diversas escolas espalhadas pelo município.
O monsenhor Breno Simonetti, já falecido, propôs a Graczcki que assumisse a São Paulo, que começou a funcionar em 1985, ainda no prédio da antiga União de Moços Católicos, na Rua 7 de Setembro. "Eu acabei topando o desafio", contou o livreiro, brincando que ao vender também livros religiosos estaria ganhando dinheiro com as coisas de Deus, ato conhecido como sinonia. Brincadeiras à parte, Graczcki conseguiu na verdade operar o milagre de transformar a livraria numa empresa rentável, que possui hoje um acervo que não fica a dever a nenhuma outra do estado. A São Paulo opera no momento com um acervo de 50 mil exemplares e mais de 20 mil títulos.
Outro milagre também atribuído ao guardião dos livros é a redenção da própria Feira do Livro de Cachoeira do Sul, que vinha cambaleando das pernas no começo desta década. A Livraria São Paulo acabou sendo a grande incentivadora do evento, especialmente nos últimos cinco anos. Para se ter uma idéia, metade dos livros expostos na Praça Honorato, nesta edição do evento, pertence à Livraria São Paulo.
PODER - O poder de fogo da livraria cachoeirense, com a graça de Deus, praticamente triplicou na última década, tanto que hoje Graczcki consegue participar de vários eventos literários ao mesmo tempo. Nesta semana, por exemplo, enquanto o caminhão da São Paulo, com quatro mil livros, a maior parte deles lançamentos, permanece estacionado na Praça Honorato, a livraria mantém estandes em eventos de Quaraí, São Leopoldo, Ibarama, Santiago, Arroio dos Ratos e no campus da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). O guardião dos livros se deu conta que a leitura poderia mudar a vida dele por volta dos 12 anos, quando colocou os olhos na primeira obra de sua vida: "Fernão Capelo Gaivota", de Richard Bach. "É uma obra de auto-ajuda, que acabou mudando a minha vida", frisou o proprietário da São Paulo.
A feira dos escritores cachoeirenses
Nunca tantos autores cachoeirenses desfilaram numa feira do livro quanto nesta edição. De acordo com a organização do evento, nove autores nascidos no município lançaram livros em nove dias de feira na Praça Honorato, destacou a vice-coordenadora do evento, professora Denise Brum. Entre os escritores cachoeirenses que passaram pelo palco dos livros há nomes consagrados como o aventureiro Airton Ortiz, que prepara-se para ingressar no romance, e a jovem poetisa Milena Jaeger, 14 anos, que lançou na feira sua primeira coletânea.
A feira deste ano abriu espaço também para o ex-jogador de futebol Sérgio Almeida, que autografou e falou sobre seu mais recente livro neste sábado. Almeida mora em Caxias do Sul, cidade em que ele viveu um momento tenso e inusitado que acabou influenciando seu livro "Sucesso é viver na contramão do mundo". Durante um assalto, o notebook onde estava a obra foi roubado, mas ladrões devolveram o material e o episódio passou a fazer parte do enredo do livro de auto-ajuda. Na palestra que fez sábado, no lonão, o autor foi prestigiado pelos pais, José Benemídio e Amália Almeida.
QUADRINHOS - Nesta edição da feira ficou consagrado também o estilo do chargista Jader Corrêa, que com Matias Streb e Carlos Francisco lançou Alexandria, uma revista de histórias em quadrinhos que remonta importantes momentos da história da humanidade, inspirados na velha biblioteca egípcia que denomina a obra. Ricamente ilustrado com os desenhos de Jader e Matias, o livrinho destina-se especialmente aos aficionados pelo gênero. Jader já havia lançado em 2003, em parceria com a radialista Lena Caetano, outra revista do gênero, "Zing Dói", contando a história de Cachoeira do Sul. No sábado, na reta final da feira, os autores de "Alexandria" autografaram a obra e ainda fizeram caricaturas e retratos dos leitores.
O segredo da azeitona da empada
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Colocado entre as 10 obras literárias mais vendidas no país no momento, o livro do escritor gaúcho Carlos Alberto Carvalho Filho, "A azeitona da empada", não surpreende apenas por marcar o surgimento de um novo estilo, o livro-palestra, como também pelo seu próprio conteúdo. A obra de 224 páginas, da Editora Integrare, inspirada na atividade profissional do autor, traz consigo também grandes lições de vida, que justificam sua grande procura nas livrarias brasileiras.
Quando chegou à Praça Honorato, sábado à noite, para autografar "A azeitona da empada" na XXIII Feira do Livro, Carlos Alberto reencontrou amigos, e em conversa com o Jornal do Povo no caminhão literário da Livraria São Paulo falou sobre sua trajetória como escritor. Engenheiro civil, pós-graduado em Administração de Empresas, Carvalho, que atualmente responde pela direção de marketing do Banco Matone, iniciou como vendedor de copiadoras.
Porém é ao relatar suas experiências de vida que o escritor faz com que o leitor mergulhe em seu universo. No prefácio, Carvalho mostra toda a sua sensibilidade ao referir-se à família e aos amigos. No decorrer da obra, mostra-se como realmente é: confessa que é gago, conseqüência de um trauma ocorrido aos cinco anos, quando foi vítima de um seqüestro relâmpago, que ele desconfia ter sido o primeiro a ser registrado na capital.
CHACOTA - Desde então a gagueira passou a ser companheira constante. Na escola era motivo de chacota, relata o autor. "Batedeira, freio de mão, barco a vapor, para ficar nos mais amenos, eram alguns dos apelidos que os colegas me cunhavam", escreve o diretor do Matone. Nesse momento, a entrevista foi interrompida por Édson Machado, o Son, amigo de Carlos Alberto, que ingressou rapidamente no caminhão só para abraçar o escritor. Son disse que havia dado uma escapadinha de um retiro espiritual só para rever o amigo, a quem chama de Beto.
Antes de rumar para o lonão, onde autografou o livro, Carvalho deixou claro que o segredo de "A azeitona da empada" é exatamente a mensagem de que as pessoas precisam acreditar nelas mesmas. "Eu não posso perder tempo tentando fazer aquilo em que eu não sou bom, mas aperfeiçoando o que sei fazer melhor", ensinou. No livro, Carvalho conta que as coisas começaram a engrenar na vida dele depois que assumiu o desafio, mesmo com gagueira, de vender copiadoras para uma grande empresa mundial. O desfecho surpreendente da história do gago que faz palestras aguardada pelo leitor está nas páginas de "A azeitona da empada"
Importante - Ao comentar o livro do gaúcho Carlos Alberto Carvalho Filho, o conceituado caça-talentos e autor do best-seller "O sucesso está no equilíbrio", Robert Wong, escreve: "Ven-vencedor é aquele transforma seus so-sonhos em realidade, seus de-defeitos em virtudes, sua li-limitações em o-oportunidades. Beto Carvalho superou sua gagueira aguda para transformar-se num palestrante reconhecido e num vendedor campeão. Como? Comunicando-se com excelência, não apenas através do som de suas cordas vocais... mas sim, essencialmente, através da sabedoria e harmonia de sua eloqüente alma. Esta é a diferença, o detalhe - a azeitona da empada. Ler seu livro poderá ajudar a transformar o leitor também num vendedor vencedor". Visto: 1769
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